Foto: Beto Albert (arquivo/Diário)
Santa Maria investiga, no primeiro trimestre deste ano, 45 possíveis casos de dengue. Em termos de notificações, foram 112 registros. Sete já foram confirmados, número maior em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve dois casos no município. Para evitar a propagação do mosquito, uma força-tarefa entre a Vigilância Sanitária e o Exército Brasileiro deve ir às ruas visitar 2,2 mil residências, durante duas semanas. O objetivo é fiscalizar e eliminar focos do Aedes aegypti.
Serão 30 soldados e mais 15 agentes de endemias fiscalizando um total de cinco bairros. Para chegar aos locais, os soldados receberam da Vigilância em Saúde um treinamento especial, na manhã desta segunda-feira (6), na Vila Miltar Coronel Niederauer. A operação deveria começar nesta terça-feira (7), a partir das 8h. Mas devido a chuva, o início da mobilização foi cancelada. A Secretaria da Saúde deve divulgar uma nova data em breve.
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A dengue é uma das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e os sintomas incluem febre alta, dor no corpo, dor nas articulações, dor de cabeça e dor atrás dos olhos, além de manchas pelo corpo em alguns casos. O método mais eficaz para evitar a contaminação é impedir a circulação do mosquito.
Desde o início de fevereiro, 485 quarteirões bairros do município já receberam pulverização contra o mosquito Aedes aegypti. O inseticida é comprovadamente sem riscos à saúde humana, por tratar-se de um produto biológico.
Em entrevista à Rádio CDN, a superintendente de Vigilância em Saúde, Cecília Pedro, explicou a importância da parceria entre a prefeitura e o Exército e detalhou a dinâmica das visitas aos bairros de Santa Maria:
– Santa Maria é amplamente conhecida por ser uma cidade militar e universitária. Todas as parcerias que a prefeitura faz com a universidade ou com o Exército são respeitadas pela população. As pessoas começaram a prestigiar e a ter um bom entendimento disso. Elas já esperam a visita no início do ano.
O período escolhido, antecedendo o inverno, é estratégico. A oscilação entre semanas de calor, frio e um pouco de chuva cria um ambiente propício para a proliferação do mosquito e, consequentemente, ideal para o mutirão de fiscalização.
Casos de dengue no primeiro trimestre:
2026: 7 casos confirmados
2025: 2 casos
2024: 157 casos
"Não é uma ação punitiva", afirma Superintendente de Vigilância em Saúde
O cronograma divulgado pela pasta prevê que as equipes saiam da sede da 6ª Brigada de Infantaria Blindada. E na sequência, percorram os bairros Tancredo Neves, Pinheiro Machado, Juscelino Kubitschek, Urlândia e Chácara das Flores. Serão três agentes por bairro, cada um acompanhado por dois militares.
Os mutirões serão realizados até 17 de abril, de segunda a sexta-feira. As visitas devem ocorrer das 8h ao meio-dia e, em caso de chuva, neblina ou vento forte, as ações poderão ser reagendadas.
Durante as visitas, as equipes irão vistoriar residências em busca de recipientes com água parada, que favorecem a reprodução do vetor. Em casos de risco à saúde pública e ausência de colaboração do proprietário, poderão ser emitidas notificações e autos de infração.
A meta da força-tarefa é visitar 2,2 mil residências neste período. A seleção dos locais não é aleatória, segundo a superintendente da Vigilância em Saúde. O processo tem como base o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa), realizado em janeiro deste ano, e em critérios epidemiológicos que identificaram maior positividade para a presença do mosquito.
– Pegamos os bairros que tivemos o maior número de amostras positivas (do mosquito) para começar a trabalhar – pontua Cecília.
O trabalho de campo deve ocorrer exclusivamente no turno da manhã. As equipes solicitam autorização para entrar nos pátios e iniciam a busca ativa.
– Se tem foco de água parada, ele vai ser eliminado. Também será coletada uma amostra dessa água para análise técnica no período da tarde, para identificarmos se as larvas são ou não do Aedes. O mais importante são as orientações para as pessoas, explicando como organizar os resíduos que acumulam água – detalha.
Ainda conforme Cecília, a presença dos militares não tem caráter punitivo. O foco é a prevenção, a educação e a conscientização:
– A vigilância, muitas vezes, é vista de forma punitiva. As pessoas podem pensar: “Meu Deus, os militares estão aqui. Vou ser punido”. Mas, não é essa a intenção. A nossa estratégia é levar informação e orientação sobre como retirar o foco e manter limpo o pátio. Convidamos as pessoas para que abram as portas de suas casas e recebam os militares e agentes de endemias de forma tranquila e positiva – finaliza.
Principais precauções
- Mantenha a caixa d’água sempre fechada;
- Encha de areia, até a borda, os potes e os vasos de plantas;
- Não deixe a água da chuva acumular em recipientes;
- Mantenha tampados tonéis e barris de água;
- Guarde garrafas de cabeça para baixo;
- Recolha seus resíduos;
- Use repelente;
- Utilize inseticida em locais escuros (perto do chão e proximidades de piscina);
- Atenção às piscinas, especialmente as de plástico;
- Para denúncias de locais com água parada, ligue para (55) 3174-1581